Hoje o Técnico faz 1100100 anos! Parabéns informáticos!
http://100.ist.utl.pt/
2011-05-23
2011-05-17
Com a (meia) verdade me enganas
Muito se tem falado sobre a mentira na política. No entanto, mais do que a mentira, o verdadeiro perigo para a democracia reside na "meia-verdade".
Vamos analisar um exemplo recente do debate entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa (minuto 27):
Esta afirmação é verdadeira. No entanto, qual o seu significado exacto?
A. Vão ser cortadas as pensões com valor superior a 1500 Euros e as de valor mais baixo do que 1500 Euros vão ser aumentadas.
B. Vão ser cortadas as pensões com valor superior a 1500 Euros, as de valor inferior vão ser congeladas, e apenas as pensões mínimas vão ser aumentadas.
Ouvindo só a afirmação, tanto a A como a B podem ser verdade. E, de boa fé, podemos assumir que seja a A. No entanto, lendo o memorando acordado com a troika FMI+UE (texto original, resumo e tradução do Público), é a B que vai acontecer.
O discurso está cheio destas meias verdades, que "compram" votos, e que depois, afinal, nem sequer "pagam" o que prometeram...
Convido os leitores deste blogue a partilharem outros exemplos nos comentários. Mas peço que deixem referências de onde se pode validar a informação.
Vamos analisar um exemplo recente do debate entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa (minuto 27):
José Sócrates: Redução das pensões acima de 1500 Euros (...) Só essas é que serão atingidas (...) As mais baixas serão aumentadas.
Esta afirmação é verdadeira. No entanto, qual o seu significado exacto?
A. Vão ser cortadas as pensões com valor superior a 1500 Euros e as de valor mais baixo do que 1500 Euros vão ser aumentadas.
B. Vão ser cortadas as pensões com valor superior a 1500 Euros, as de valor inferior vão ser congeladas, e apenas as pensões mínimas vão ser aumentadas.
Ouvindo só a afirmação, tanto a A como a B podem ser verdade. E, de boa fé, podemos assumir que seja a A. No entanto, lendo o memorando acordado com a troika FMI+UE (texto original, resumo e tradução do Público), é a B que vai acontecer.
O discurso está cheio destas meias verdades, que "compram" votos, e que depois, afinal, nem sequer "pagam" o que prometeram...
Convido os leitores deste blogue a partilharem outros exemplos nos comentários. Mas peço que deixem referências de onde se pode validar a informação.
2011-05-13
Homens, sede homens!
Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. Homens, procurai ver o vosso prestígio e o vosso interesse não como contrários ao prestígio e ao interesse dos outros, mas como solidários com eles. Homens, não penseis em projectos de destruição e de morte, de revolução e de violência; pensai em projectos de conforto comum e de colaboração solidária. Homens, pensai na gravidade e na grandeza desta hora, que pode ser decisiva para a história da geração presente e futura; e recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com intenções de construir um mundo novo; sim, um mundo de homens verdadeiros, o qual é impossível de conseguir se não tem o sol de Deus no seu horizonte.
-- Papa Paulo VI em Fátima no 13 de Maio de 1967
Ler a homilia completa.
Etiquetas:
Fátima,
Igreja Católica
2011-05-06
O que fazer nestes tempos de crise?
Despertar as pessoas, e propor Cristo!
-- PDC
Etiquetas:
Igreja Católica
2011-05-05
João Paulo II e a Liberdade
Transcrevo a seguir um artigo de João Carlos Espada sobre a contribuição do Papa João Paulo II para a nossa compreensão de um valor cada vez mais na agenda do nosso país: a Liberdade. Os sublinhados são meus.
João Paulo II
Público, 2011-05-02 João Carlos Espada
A beatificação de João Paulo II voltou a trazer à praça pública a memória do extraordinário Papa polaco. É difícil exagerar a importância e o alcance do seu pontificado, para católicos e não católicos, crentes e não crentes.
No plano político, todos reconhecem o papel decisivo de Karol Wojtyla no colapso final e pacífico do império soviético. Seria, por si só, uma realização de enorme magnitude. Mas, ao contribuir decisivamente para a desacreditação do regime soviético, o Papa polaco fez ainda mais. Restaurou o ideal de uma sociedade livre e do papel incontornável da liberdade religiosa - e não apenas da liberdade dos católicos - numa sociedade livre.
Karol Wojtyla podia ter defendido os direitos dos católicos polacos em nome do facto incontornável de que a Polónia era há muitos séculos uma nação de esmagadora maioria católica. Mas não foi exactamente isso que ele fez. Ele defendeu os direitos dos católicos polacos em nome da liberdade de consciência de todos, católicos e não católicos, crentes e não crentes.
Na linha do que fora consagrado pelo Concílio Vaticano II, João Paulo II defendeu a liberdade de consciência como expressão essencial da dignidade da pessoa humana. E apresentou a dignidade da pessoa humana como parte integrante da verdade revelada que o cristianismo convida o mundo a descobrir. Por outras palavras, João Paulo II fundou a liberdade na verdade, não na ausência dela, ou na equivalência relativista entre as verdades de cada um.
Ao fundar a liberdade na verdade da mensagem cristã acerca da dignidade da pessoa humana e da sua consciência, João Paulo II integrou a defesa da liberdade dos católicos na defesa da liberdade da consciência de todos. E reafirmou que uma sociedade livre é aquela em que a lei protege a liberdade das pessoas e limita o poder político, obrigando-o a respeitar essa liberdade.
Desta forma, João Paulo II refutou também as dúvidas ainda existentes entre alguns sectores católicos acerca da existência de um alegado "terceiro regime" entre o regime comunista e o impropriamente chamado "regime capitalista". Só há dois tipos de regimes: não livre e livre. Num regime livre, a liberdade da pessoa está no centro e abrange todas as dimensões: religiosa, cultural, política e económica. Não há por isso regimes livres sem empresa livre, ou com liberdade económica condicionada pelo capricho dos governantes. E não há ambiguidade sobre a posição dos católicos acerca desses dois regimes: eles são a favor dos regimes livres.
No interior de um regime livre, fundado nos direitos fundamentais da pessoa humana, existe uma permanente controvérsia em torno de diferentes propostas políticas, económicas, culturais. João Paulo II reafirmou que a Igreja não defende nenhum projecto político particular no interior de uma sociedade livre. A sua esfera não é política. Mas a mensagem religiosa da Igreja tem uma dimensão cultural pública que pode ser relevante para a saúde e robustez das sociedades livres.
Essa mensagem pode ser traduzida na ideia de que as virtudes morais são essenciais para a sustentação da liberdade. Sem autocontrolo, sem capacidade de diferir a gratificação, sem atenção à sorte do outro, a liberdade é ameaçada pela desconfiança mútua, pela indiferença, pela crueldade. A prazo, a anomia, ou ausência de regras de conduta cívica partilhadas, dará lugar à insegurança colectiva e esta à descrença na liberdade.
Em minha opinião, João Paulo II tornou acessível aos olhos do mundo a mensagem fundamental com que o cristianismo contribuiu decisivamente para a gradual emergência da civilização ocidental. A força não é o direito: a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado, a justiça e a injustiça não dependem dos caprichos dos poderes de plantão. Todo o poder deve ser limitado pela lei e pela moral. No centro dessa limitação de todos os poderes deve estar o respeito pela dignidade da pessoa, cujo núcleo é constituído pelo direito à vida e à liberdade.
João Carlos Espada é Director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa; titular da cátedra European Parliament/Bronislaw Geremek in European Civilization no Colégio da Europa, Campus de Natolin, Varsóvia
João Paulo II
Público, 2011-05-02 João Carlos Espada
A beatificação de João Paulo II voltou a trazer à praça pública a memória do extraordinário Papa polaco. É difícil exagerar a importância e o alcance do seu pontificado, para católicos e não católicos, crentes e não crentes.
No plano político, todos reconhecem o papel decisivo de Karol Wojtyla no colapso final e pacífico do império soviético. Seria, por si só, uma realização de enorme magnitude. Mas, ao contribuir decisivamente para a desacreditação do regime soviético, o Papa polaco fez ainda mais. Restaurou o ideal de uma sociedade livre e do papel incontornável da liberdade religiosa - e não apenas da liberdade dos católicos - numa sociedade livre.
Karol Wojtyla podia ter defendido os direitos dos católicos polacos em nome do facto incontornável de que a Polónia era há muitos séculos uma nação de esmagadora maioria católica. Mas não foi exactamente isso que ele fez. Ele defendeu os direitos dos católicos polacos em nome da liberdade de consciência de todos, católicos e não católicos, crentes e não crentes.
Na linha do que fora consagrado pelo Concílio Vaticano II, João Paulo II defendeu a liberdade de consciência como expressão essencial da dignidade da pessoa humana. E apresentou a dignidade da pessoa humana como parte integrante da verdade revelada que o cristianismo convida o mundo a descobrir. Por outras palavras, João Paulo II fundou a liberdade na verdade, não na ausência dela, ou na equivalência relativista entre as verdades de cada um.
Ao fundar a liberdade na verdade da mensagem cristã acerca da dignidade da pessoa humana e da sua consciência, João Paulo II integrou a defesa da liberdade dos católicos na defesa da liberdade da consciência de todos. E reafirmou que uma sociedade livre é aquela em que a lei protege a liberdade das pessoas e limita o poder político, obrigando-o a respeitar essa liberdade.
Desta forma, João Paulo II refutou também as dúvidas ainda existentes entre alguns sectores católicos acerca da existência de um alegado "terceiro regime" entre o regime comunista e o impropriamente chamado "regime capitalista". Só há dois tipos de regimes: não livre e livre. Num regime livre, a liberdade da pessoa está no centro e abrange todas as dimensões: religiosa, cultural, política e económica. Não há por isso regimes livres sem empresa livre, ou com liberdade económica condicionada pelo capricho dos governantes. E não há ambiguidade sobre a posição dos católicos acerca desses dois regimes: eles são a favor dos regimes livres.
No interior de um regime livre, fundado nos direitos fundamentais da pessoa humana, existe uma permanente controvérsia em torno de diferentes propostas políticas, económicas, culturais. João Paulo II reafirmou que a Igreja não defende nenhum projecto político particular no interior de uma sociedade livre. A sua esfera não é política. Mas a mensagem religiosa da Igreja tem uma dimensão cultural pública que pode ser relevante para a saúde e robustez das sociedades livres.
Essa mensagem pode ser traduzida na ideia de que as virtudes morais são essenciais para a sustentação da liberdade. Sem autocontrolo, sem capacidade de diferir a gratificação, sem atenção à sorte do outro, a liberdade é ameaçada pela desconfiança mútua, pela indiferença, pela crueldade. A prazo, a anomia, ou ausência de regras de conduta cívica partilhadas, dará lugar à insegurança colectiva e esta à descrença na liberdade.
Em minha opinião, João Paulo II tornou acessível aos olhos do mundo a mensagem fundamental com que o cristianismo contribuiu decisivamente para a gradual emergência da civilização ocidental. A força não é o direito: a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado, a justiça e a injustiça não dependem dos caprichos dos poderes de plantão. Todo o poder deve ser limitado pela lei e pela moral. No centro dessa limitação de todos os poderes deve estar o respeito pela dignidade da pessoa, cujo núcleo é constituído pelo direito à vida e à liberdade.
João Carlos Espada é Director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa; titular da cátedra European Parliament/Bronislaw Geremek in European Civilization no Colégio da Europa, Campus de Natolin, Varsóvia
2011-03-29
Notícias q.b.
A informação espectáculo que temos leva-nos a assistir ao telejornal como entretenimento. As imagens espectaculares ou chocantes, as últimas novidades do futebol, etc... Tudo é feito para nos manter "presos" ao ecrã e não para propriamente nos informar.
Além disso, além do filtro da seleção de notícias, há também cada vez mais o filtro da opinião.
Ouvimos um discurso, por exemplo, e, antes que tenhamos tempo de pensar no que foi dito, vem alguém dizer-nos o que pensa sobre o assunto. A mensagem raramente chega sozinha, chega sempre com algumas "dicas" de interpretação que são suficientes para enviesar, ainda que ligeiramente.
Neste contexto de "informação intoxicada" há alternativas. A Internet, por exemplo. No entanto, é fácil cair no mesmo problema. Quando vamos à página Web de um jornal, além da informação, também encontramos entretenimento.
Qual é então a minha sugestão?
Enterrar a cabeça na areia e não querer saber? :)
Apesar de ser tentador, temos que estar no mundo.
Acho que, responsavelmente, se pode fazer assim: escolher 1 ou 2 fontes de informações de confiança; consultar os apenas os títulos com alguma regularidade; evitar artigos de opinião antes de se "digerirem" os factos.
Neste momento, recebo as minhas notícias q.b. através do Twitter:
http://twitter.com/publico
http://twitter.com/SolOnline
Experimentem e sintam a diferença no vosso juízo dos acontecimentos... É surpreendente!
Além disso, além do filtro da seleção de notícias, há também cada vez mais o filtro da opinião.
Ouvimos um discurso, por exemplo, e, antes que tenhamos tempo de pensar no que foi dito, vem alguém dizer-nos o que pensa sobre o assunto. A mensagem raramente chega sozinha, chega sempre com algumas "dicas" de interpretação que são suficientes para enviesar, ainda que ligeiramente.
Neste contexto de "informação intoxicada" há alternativas. A Internet, por exemplo. No entanto, é fácil cair no mesmo problema. Quando vamos à página Web de um jornal, além da informação, também encontramos entretenimento.
Qual é então a minha sugestão?
Enterrar a cabeça na areia e não querer saber? :)
Apesar de ser tentador, temos que estar no mundo.
Acho que, responsavelmente, se pode fazer assim: escolher 1 ou 2 fontes de informações de confiança; consultar os apenas os títulos com alguma regularidade; evitar artigos de opinião antes de se "digerirem" os factos.
Neste momento, recebo as minhas notícias q.b. através do Twitter:
http://twitter.com/publico
http://twitter.com/SolOnline
Experimentem e sintam a diferença no vosso juízo dos acontecimentos... É surpreendente!
Etiquetas:
Informação,
Opinião,
Twitter
Subscrever:
Mensagens (Atom)

